PROBLEMA SEU! SERÁ?

11/03/2016

 

Problema Seu! Será?

Por: Marco Fabossi (*)


 
O rato vê o fazendeiro abrindo um pacote e fica aterrorizado ao descobrir que se trata de uma ratoeira. Ele então corre pelo pátio da fazenda e adverte:
 
– Cuidado! Há uma ratoeira na casa!
A galinha, contudo, ao ver o desespero do rato, comenta:
– Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para você, mas não me prejudica ou incomoda em nada.
O rato então vai até o porco e diz:
– Há uma ratoeira na casa!
– Sr. Rato, me desculpe, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar por você. Fique tranquilo que lembrarei de você em minhas orações – responde o porco.
Já em desespero, o rato dirige-se à vaca, mas ela dá de ombros e comenta:
– Uma ratoeira? Ué, o que eu tenho a ver com isso?
Cabisbaixo e abatido o rato volta pra casa, e terá de encarar sozinho a ratoeira do fazendeiro.
E naquela mesma noite ouviu-se o barulho da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro então correu para ver o que havia capturado e, antes que percebesse que havia pego a cauda de uma cobra venenosa, foi picada por ela.
O fazendeiro levou-a imediatamente ao hospital e, quando voltou, percebendo a esposa ainda febril, decidiu preparar-lhe uma canja de galinha. Saiu, pegou seu cutelo, foi até o galinheiro e providenciou o ingrediente principal.
Como as coisas não melhoraram, no dia seguinte alguns amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro decidiu matar o porco.
Passaram-se alguns dias e infelizmente a mulher não resistiu e acabou morrendo; muita gente veio para o funeral e o fazendeiro precisou sacrificar a vaca para alimentar todo aquele povo.
 
Numa equipe, seja qual for a sua natureza, quando um ganha, todos ganham, e quando um perde, todos perdem. Algo simples e fácil de entender, mas muito difícil de aplicar no dia a dia, e a neurociência pode ajudar-nos a entender porque, apesar de sabermos que a colaboração é imprescindível no trabalho em equipe, na prática, ela nem sempre acontece.
Quando nos referimos ao cérebro humano, normalmente a primeira ideia que nos vem à mente é “inteligência”, “raciocínio” ou “razão”, contudo, a neurociência demonstra que o cérebro humano é muito mais emoção (80%) do que razão (20%).
De maneira simples, nosso cérebro está dividido em 3 partes (encéfalos): Reptiliano (parte mais primitiva do cérebro, instinto de sobrevivência, lutar ou fugir), Límbico (parte emocional do cérebro) e Neo-Cortex (parte racional do cérebro). Toda informação que capturamos, chega primeiro ao encéfalo Límbico e, se for interpretada como algo “negativo” ou que pode nos colocar em perigo, imediatamente o encéfalo Reptiliano é acionado, nos colocando automaticamente em “estado de alerta” ou “modo de sobrevivência”.
 
Neste estado, onde as únicas decisões possíveis são lutar ou fugir, o ser humano perde a capacidade de pensar naqueles que estão ao seu redor; sua prioridade é isolar-se, proteger-se e buscar garantir sua própria sobrevivência.
É por isso que Inteligência Emocional e Resiliência são competências que toda organização deveria priorizar em seus programas de desenvolvimento, porque proporcionam às pessoas maior controle emocional e então acessar o Neo-Cortex, para que suas decisões sejam, teoricamente, mais assertivas.
Além disso, pessoas resilientes desenvolvem a capacidade de resignificar suas memórias emocionais e, consequentemente, enxergar as adversidades, problemas e urgências do cotidiano como desafios a serem ultrapassados, tornando-as mais protagonistas e menos vítimas das situações. E a boa notícia é que tanto Inteligência Emocional quanto Resiliência podem ser aprendidas.
 
Algumas dicas pra você melhorar sua Inteligência Emocional e Resiliência:
Gratidão: Seja grato por estar onde está, por fazer o que faz e, principalmente, por estar vivo. Esteja certo de que muitas pessoas dariam tudo pra estar em seu lugar, mas infelizmente não podem; porque já não estão vivas, ou porque essa oportunidade foi dada a você, e não a elas. O estado de gratidão mudará o seu jeito de olhar o mundo.
Conheça-se: Busque observar um pouco mais seus sentimentos e emoções, e como eles influenciam em suas ações. Descubra o que te leva a ter atitudes positivas ou negativas e o que você precisa fazer para evita-las ou potencializá-las. Quando for tentado a “sair do sério”, respire, conte até dez, e pergunte-se: Essa atitude me leva mais perto ou me afasta dos meus objetivos? E então decida o que fazer. Lembre-se, você é o dono das suas emoções; não terceirize essa responsabilidade.
Seja Positivo: Atitudes positivas não resolvem tudo, mas ajudam muito. O simples fato de encarar um problema como desafio e possibilidade de crescimento, muda tudo. Por isso, quando deparar-se com algum problema que possa “tirá-lo do sério”, pergunte-se: O que eu posso aprender com isso? Ficar reclamando vai ajudar em algo?
 
O que eu posso fazer para melhorar ou resolver esse negócio? Enfim, saia da posição de vítima e assuma o protagonismo da situação. Isso o ajudará a aumentar o seu nível de resiliência.
 
Só então, quando as pessoas que formam uma equipe estiverem emocionalmente preparadas e sentirem-se seguras a ponto de não precisar “lutar por sua sobrevivência”, estarão também dispostas a ser mais colaborativas e cuidar uns dos outros, e passarão a compreender que o problema de um é também o problema de todos.


 
(*) Marco Fabossi é Conferencista, Escritor, Consultor, Coach Executivo e Coach de Equipe, com foco em Liderança. Sócio-diretor da Crescimentum – Alta Performance em Liderança, que tem como missão: “ Construir um mundo melhor, transformando pessoas em líderes extraordinários“.

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