O Poder do Ainda

07/10/2016

O Poder do Ainda

 

Por: Marco Fabossi (*)

 

Pitágoras, um dos mais importantes filósofos e matemáticos da antiguidade, aplicava um teste interessante aos candidatos que desejavam ingressar na escola pitagórica e ser iniciado em seus conhecimentos. O candidato deveria entrar em uma sala, passar a noite sozinho, e resolver um problema matemático.

 

O que os candidatos não sabiam é que o problema não tinha solução. O objetivo do teste, de fato, era saber como o candidato iria lidar com o não-saber; como ele se sentiria, como reagiria e o que diria depois de uma longa noite tentando resolver aquele problema.

 

Os candidatos aprovados no processo seletivo eram aqueles que conseguiam lidar bem com o seu não-saber, e pela manhã geralmente diziam:

 

– Poxa, eu não consegui resolver o problema. Tentei muito, mas não deu. Sinto muito, mas, de qualquer forma, eu gostaria muito de saber como resolvê-lo.

 

Já os reprovados eram aqueles que não conseguiam lidar bem com o seu não-saber, demonstravam sentimentos de ira, raiva, tristeza e decepção, e se comportavam de maneira agressiva porque entendiam que o fato de não terem conseguido, os tornava pessoas “menores”, menos inteligentes e falhas. Eles geralmente diziam:

 

– Isso é um absurdo! Como vocês ousam aplicar esse teste para a minha pessoa? Vocês tem que fechar essa escola! Eu nunca mais voltarei aqui!

 

Segundo Carol Dweck, psicóloga e professora na Universidade de Stanford, existem dois Modelos Mentais básicos que influenciam diretamente no aprendizado e no desenvolvimento das pessoas: O Modelo Mental “Fixo” e o Modelo Mental de “Crescimento”.

 

As pessoas com Modelo Mental “Fixo” acreditam que JÁ chegaram ao seu limite de aprendizado, e que a vida é assim: uns nascem mais inteligentes que outros, portanto, aos que não tiveram essa sorte, só lhes resta as opções de conformar-se ou revoltar-se, oscilando entre tristeza e agressividade. Essas pessoas acreditam que: “Eu JÁ cheguei ao meu limite. Quando eu estiver frustrado, melhor desistir. Eu não gosto de ser desafiado. Quando eu falho, fracasso. Feedback é ruim! O seu sucesso me ameaça. Eu não vou conseguir”. E por acreditarem nisso, ficam estagnadas.

 

Aqueles com Modelo Mental de “Crescimento”, contudo, acreditam que AINDA não sabem, mas podem aprender. Acreditam que o não-saber é temporário, que o erro faz parte do processo de aprendizagem e, por isso, buscam incessantemente por possibilidades e oportunidades de melhorar o que sabem e o que fazem. Eles acreditam que: “Eu posso aprender o que eu quiser. Quando eu estiver frustrado, vou perseverar. Eu preciso desafiar-me. Quando eu falho, aprendo. Feedback é fundamental para o meu crescimento. O seu sucesso me inspira. Eu AINDA não consegui”.

 

E o líder é um dos principais agentes de estabelecimento desses Modelos Mentais. Quando faz do erro um motivo de punição; quando cerceia a criatividade das pessoas; quando não as desafia; quando usa o feedback como instrumento de crítica e desmerecimento; quando deixa claro acreditar, através de suas atitudes, que as pessoas JÁ chegaram ao seu limite, e que não podem ser melhores do que JÁ são, empurra-os em direção ao Modelo Mental “Fixo”.

 

Porém, quando utiliza o erro como um degrau para o aprendizado;

 

- quando instiga a criatividade das pessoas por meio de perguntas poderosas;

- quando as empodera, delega e desafia;

- quando utiliza o feedback sincero e honesto como ferramenta de desenvolvimento, enfim,

- quando suas atitudes demonstram acreditar que as pessoas AINDA não chegaram ao seu limite,

 

estabelece então uma cultura do Modelo Mental de “Crescimento” e, como resultado, ajuda as pessoas a se tornarem o melhor que podem ser, melhora o clima organizacional, forma equipes autônomas e engajadas, forma novos líderes, e conquista os melhores resultados.

 

E então, você JÁ ou AINDA?

 

Um Grande Abraço,

 

(*) Marco Fabossi é Conferencista, Escritor, Consultor, Coach Executivo e Coach de Equipe, com foco em Liderança. Sócio-diretor da Crescimentum – Alta Performance em Liderança, que tem como missão: Construir um mundo melhor, transformando pessoas em líderes extraordinários“.