Por que os nossos executivos são mais equilibrados que os outros

18/05/2012

Pesquisa aponta que balanceamento entre vida pessoal e profissional no país cresce acima da média mundial

Marília Almeida

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional avançou no Brasil nos dois últimos anos, ainda que a carga de trabalho tenha crescido e quase metade dos profissionais ainda não esteja plenamente feliz com o tempo disponível para cuidar de assuntos pessoais. É o que aponta pesquisa da consultoria de soluções para o ambiente corporativo Regus, feita com 16 mil profissionais em mais de 80 países, entre eles 419 no Brasil. Esse equilíbrio aumentou 45 pontos entre 2010 e 2012 e atingiu 151 pontos, acima da média global, de 124 pontos. O resultado são profissionais satisfeitos: 81% gostam mais do seu trabalho hoje do que em 2010. Para Guilherme Ribeiro, diretor geral da Regus no Brasil, este aumento está relacionado ao momento econômico do país. “As empresas crescem e passam a oferecer um local de trabalho mais adequado, maiores salários ou condições mais flexíveis, como a opção de trabalhar de forma remota”, aponta. Levantamento da consultoria global de gestão de negócios Hay Group com profissionais de recursos humanos de 83 empresas pertencentes a 30 setores aponta que 35,7% estão investindo em programas de qualidade de vida e 13,1% em jornadas flexíveis para reter talentos. Por outro lado, ainda há espaço para desenvolvimento. Quando se trata da quantidade de tempo disponível para passar tempo com a família ou cuidar de assuntos pessoais, 51% dos entrevistados estão satisfeitos, número abaixo da média global. Além disso, 73% tomaram para si obrigações adicionais durante desde 2010 que ainda não foram delegadas para novos funcionários ou membros da equipe. Mais de 50% apontam que passam mais tempo trabalhando agora do que em 2010. “O Brasil ainda tem uma carga horária extremamente elevada se comparada ao restante do mundo”, aponta Ribeiro. “Porém, as pessoas estão satisfeitas com mais tarefas porque vieram acompanhadas por maiores salários, reconhecimento e possibilidade de ascensão na carreira. Portanto, isso não é encarado de forma negativa, mas como uma oportunidade”, completa. Na pesquisa, 83% afirmam que tiveram mais conquistas na carreira no período. Gaus Azeredo, 35 anos, gerente regional do Sul e Sudeste da consultoria de recursos humanos Randstad Professionals, divisão com foco em recrutamento de executivos que chega agora ao Brasil, é um exemplo de que, mesmo diante de desafios e grande carga de trabalho, é possível ter mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Seu escritório está localizado na avenida Paulista, na capital, mas ele mora em Vinhedo, no interior do Estado. Diariamente percorre um trajeto de 72 quilômetros, sem contar o trânsito. Mas graças à tecnologia e condições flexíveis de trabalho, consegue trabalhar dois dias por semana em casa, perto da família. “Isso não impede que tenha contato com clientes. Já faço 20% das reuniões via Skype e tenho celular com roteador, com o qual consigo me conectar em qualquer lugar. Poderia ser algo desgastante, mas considero um período prazeiroso da minha vida, de conhecimento”. ¦

 

RANKING

Brasileiros estão entre os mais satisfeitos
Boa parte disso está atrelada ao aquecimento econômico, com maior taxa de emprego e renda

Os profissionais brasileiros estão entre os mais satisfeitos com o ambiente corporativo e o trabalho entre os 80 países pesquisados pela Regus. Boa parte disso está atrelada ao aquecimento econômico, com maior taxa de emprego e de renda — e assim maior consumo e acesso a mais serviços. Quando se trata de índice de equilíbrio entre vida profissional e pessoal, o Brasil fica em segundo lugar, perdendo apenas para o México. A China vem logo depois. “A China está muito bem posicionada no ranking, mas não teve melhora de satisfação entre uma pesquisa e outra”, aponta Guilherme Ribeiro, diretor da consultoria no Brasil.

O Brasil também lidera, ao lado do México, na porcentagem de profissionais que gostam mais do seu trabalho com relação a 2010. O país tem a maior porcentagem de profissionais que tiveram aumento de conquistas profissionais no período, menor apenas do que a verificada entre os trabalhadores indianos (84%). O cenário muda quando se trata de satisfação com a quantidade de tempo disponível para passar tempo com a família ou cuidar de assuntos pessoais, o Brasil cai para a 12º posição, atrás dos EUA, China e Índia e abaixo da média global. ¦

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