Reconhecer as virtudes sim, mas cuidado para não exagerar!

16/01/2013

É preciso saber o limite entre a modéstia e a presunção

 

EUTALITA BEZERRA, da Folha de Pernambuco

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Para muitos profissionais, assumir as suas fraquezas é mais fácil que apontar suas virtudes. Talvez por isso responder à pergunta de recrutadores sobre suas principais qualidades soe tão difícil para alguns. Por outro lado, há quem não poupe elogios à sua própria performance, assumindo, assim, o peso da responsabilidade de cumprir com o que promete. Na vida profissional - tanto quanto na vida pessoal - é preferível que se seja comedido, tanto na modéstia quanto na extravagância.

Vendedora na área de decoração de ambientes, Késia Salgado sabe que é uma boa profissional. Mas, mesmo contando com uma boa carta de clientes, metas cumpridas sistematicamente e recebendo reconhecimento da empresa em que trabalha, a funcionária acha difícil citar seus ganhos. “Para exercer a minha função é preciso ter desenvoltura com o público, criatividade, poder de argumentação e persuasão. Eu acredito que tenho essas características. Mas, em uma entrevista de emprego, costumo ser comedida, mais reservada. Tenho vergonha de falar sobre mim, porque me sinto prepotente ao me autoelogiar”, explica. De toda forma, ela não acredita que sua modéstia a afaste dos bons resultados em uma seleção. “O que sobressai é a empatia entre quem seleciona e o candidato. E isso pode acontecer sem se elogiar diretamente”, afirma.

Já para a jornalista Rebeca Nascimento, falar bem de suas qualidades não é nenhum “bicho de sete cabeças”. “Não encontro dificuldade para falar sobre as minhas qualidades e defeitos, procuro ser autêntica sem maquiar, aumentar ou diminuir nada. Considero-me uma profissional com as qualidades necessárias para o bom exercício da minha função, mas reconheço que posso melhorar sempre. Tenho as habilidades necessárias para desempenhar bem a minha função, como ética, boa escrita, boa fala, bom relacionamento e respeito com superiores e colegas de trabalho e procuro melhorá-las a cada dia”.

De acordo com o psicólogo clínico e organizacional e professor da Faculdade dos Guararapes, Alessandro Rocha, as pessoas se autoelogiam a fim de receber uma resposta do outro. “Sem feedback, as distorções entre nossas intenções e as ações dos outros tendem a crescer e a tornar-se sempre maiores. Dar e receber feedback constitui, portanto, uma das habilidades interpessoais imprescindíveis ao funcionamento de um grupo humano harmonioso”, afirma.

Além disso, segundo Rocha, precisamos confirmar se o que pensamos a nosso respeito condiz com a realidade. “Nossa percepção pode também nos enganar e com isso precisamos confirmar e testar as nossas interpretações diante das situações da vida e na convivência. É o que chamo de armadilha de pensamento. Cada feedback que recebemos significa a opinião de outra pessoa a nosso respeito e que precisamos pensar e questionar sobre isso. Se é verdade ou não é verdade”.