Especialize-se ao máximo, diz pesquisador

29/01/2014

Pesquisa da Fundação Dom Cabral diz que profissionais especializados são a maior carência das empresas

Do JC Online


Além de ter uma boa formação, manter-se atento ao que as empresas estão buscando e procurar melhorar o relacionamento interpessoal podem ser as melhores formas de conseguir boas vagas no mercado de trabalho. As dicas são do coordenador do Núcleo CCR de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, professor Paulo Resende. Ele foi o responsável por uma pesquisa da entidade que apontou uma enorme dificuldade das companhias em contratarem profissionais qualificados: 83% afirmam esbarrar na capacitação deficiente.

Para Resende, embora haja a barreira dos baixos salários em alguns postos de trabalho - o que não atrairia os melhores profissionais para essas vagas -, esse tipo de trava não justifica o desalinhamento encontrado pela pesquisa, que está em sua segunda edição.

Ele afirma que um dos principais problemas é que a capacitação existente hoje não está conectada ao que as empresas precisam. “Por exemplo, as empresas precisam muito de pessoas para a área de compras, que é estratégica, mas as escolas não têm essa disciplina em suas grades”, critica. Segundo o levantamento, um especialista em compras é o mais complicado de se contratar, com 72% das citações entre os entrevistados - foram consultadas 167 empresas de diversos setores da economia.

Diante desse quadro, Resende aconselha que os profissionais tentem se especializar o máximo possível em uma área de interesse. “As empresas estão indicando que, quanto mais especialista o indivíduo for, mais oportunidade ele vai ter no mercado de trabalho. Não seja um generalista”, orienta.

Outro ponto indicado como fundamental pelo professor é em relação à postura pessoal. “É claro que a formação acadêmica é importante. É preciso, sim, ter um bom currículo, mas eu não tenho dúvida que entre duas pessoas com currículos semelhantes, ela vai preferir que tenha um comportamento melhor”, assegura Resende, se referindo a características como liderança, trabalho em equipe e proatividade.

Pesquisa - Segundo a pesquisa de 2013, os motivos que mais dificultam a contratação de mão de obra são a escassez de profissionais capacitados (83,23%) – também no topo da edição de 2010 - e a deficiência na formação básica (58,08%). “Os profissionais chegam ao mercado com dificuldades básicas como fazer contas ou interpretar textos; este quadro gera outro problema para as companhias, que precisam investir cada vez mais em treinamento e capacitação dos seus funcionários, elevando seus custos e consequentemente reduzindo a sua competitividade”, destaca Resende. Metade das empresas consultadas afirma precisar treinar entre 41% e 80% dos funcionários recém-contratados.

No caso do Nordeste, as maiores carências são por engenheiros eletricistas, engenheiros de segurança do trabalho, técnicos em geral, gerentes de projetos e engenheiros de produção. Considerando toda a amostra, a produção/chão de fábrica continua sendo a mais difícil de encontrar profissionais capacitados – 52% na edição de 2010 e 47,3% na de 2013. A nova pesquisa também revela que as funções técnica e operacional são as posições de qualificação mais precária, segundo 45,06% e 50,62% das empresas consultadas, respectivamente.